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Há consenso no mercado e nas corporações que poucas ações podem trazer melhorias tão significativas no desenvolvimento de software quanto a possibilidade de reaproveitar e capitalizar o que já foi construído, testado e validado, permitindo que soluções existentes sejam implementadas rapidamente em novos contextos. Essa é a idéia do asset reuse, ou reúso de ativos. Com ele, migra-se do modelo do software artesanal para uma indústria de software mais madura, capaz de “montar peças” para compor novos sistemas.
Isso torna o processo de engenharia de software mais eficiente em termos de custo, produtividade e qualidade, e mais apto a responder com agilidade às mudanças nos processos de negócio.
Por essa razão, o desenvolvimento de software baseado em componentes vem se firmando cada vez mais como uma proposta concreta para a melhoria da produção de software, cujo processo passa a ter foco em:
- Criação de ativos — sejam eles componentes (blocos de software com funcionalidades) ou serviços (funções de um sistema que são disponibilizadas na rede através de uma interface), base do modelo SOA — Service Oriented Architecture;
- Reúso de ativos — sejam eles parte do próprio capital intelectual da corporação, provenientes de comunidades de software livre ou comprados de terceiros.
Os benefícios dessa abordagem são obtidos através da definição de uma estratégia corporativa de reúso, representada por mudanças em termos de negócio, processos, pessoas e ferramentas. Com isso, tem-se o necessário para a implementação, monitoração, governança e capitalização das ações. Pesquisas elaboradas por Ivar Jacobson e Jeffrey Poulin (referências mundiais em engenharia de software e reúso de ativos) apontam melhorias em produtividade da ordem de 100 a 400% e redução de defeitos e custos de manutenção de 80 a 90% para corporações que adotam reúso sistemático de ativos.
Na prática, a implementação dessa estratégia deve seguir uma trajetória caracterizada por um novo direcionamento executivo, no qual o investimento inicial é necessário e a governança passa a ser fator de sucesso ou fracasso. O retorno do investimento (ROI) tipicamente é obtido de médio a longo prazo, uma vez que os desafios da estratégia sejam superados. Porém, existem fatores comuns apresentados por corporações que tiveram êxito na implementação da estratégia de reúso.
O primeiro é a mudança no processo de engenharia de software, com a formalização de todos os pontos do ciclo de desenvolvimento nos quais a componentização pode ser considerada. É importante pensar em reúso desde o início, quebrando a solução em pacotes menores. O refinamento ocorrerá em etapas posteriores, contribuindo para a biblioteca de ativos. É necessária também uma arquitetura corporativa de referência, garantindo produtividade e uniformidade técnica ao portfolio de projetos da corporação.
Para um fornecedor de TI, outro fator é a criação de um modelo de licenciamento, no qual os ativos são precificados e vendidos como parte da solução, reforçando ao cliente o potencial de diminuição do preço final. O cliente, ao adquirir soluções compostas por ativos reutilizáveis, cria uma biblioteca que facilita a construção de novos sistemas.
Por fim, tem-se a necessidade de investimento (ou uso da receita com licenciamento) em uma unidade de negócios focada no gerenciamento dos ativos, ou seja, criação, manutenção, controle de versões, divulgação e mecanismos de incentivos. Essa unidade deve ter foco em governança e integração dos processos, apresentando métricas e visões gerenciais que possibilitem o acompanhamento dos seus benefícios, como ROI, economia de cada reutilização, ativos mais solicitados, entre outros.
Nesse mundo de reúso de ativos, SOA e engenharia de software madura, as corporações precisam assumir efetivamente o modelo de colaboração, compartilhando e reutilizando soluções, unificando esforços e boas práticas. Todos têm a ganhar ao não reinventar a roda.
Para saber mais
http://en.wikipedia.org/wiki/Code_reuse
http://www.redbooks.ibm.com/redbooks/pdfs/sg247529.pdf
http://books.google.com/books?id=wrFQAAAAMAAJ&pgis=1
Enviado por: Marcelo Vessoni
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