24 de May de 2009

Os mitos do SOA

Por Thomas Erl e Ricardo Barbosa.

SOA (arquitetura orientada a serviços) é caro, leva tempo e precisa envolver toda a empresa. Os mitos que se criaram em torno da arquitetura de serviços, sejam totalmente falsos ou não, afastam as empresas que poderiam obter resultados favoráveis e retorno no investimento em uma infraestrutura mais moderna.

O problema começa com a utilização de vários sistemas e diferentes tecnologias, seja por herança de gerações anteriores de TI ou impostos por fusões e aquisições. Mesmo onerosos para manter e evoluir, as empresas dedicam cada vez menos tempo para adaptá-los às crescentes demandas das áreas de negócios. Como resultado, acabam por produzir uma colcha de retalhos, além de centenas de integrações ponto a ponto.

O SOA e as inovações tecnológicas correlatas permitiram às áreas de TI desenvolver unidades de lógica (serviços) altamente flexíveis e interoperáveis. Assim, é possível se adaptar a mudanças de negócios de forma mais fácil e com menos custos.

O desafio está nas empresas compreenderem o que é SOA e como adotá-lo. Quando a área de TI desenvolve um sistema para atender a uma necessidade específica da área de negócios, ela o faz mais rápido e mais barato do que com a utilização de SOA e a área de negócios fica satisfeita. Porém, mais caro e mais demorado no início, o SOA trará em médio e longo prazo mais agilidade para a empresa. É quando os desenvolvimentos cedem lugar a simples e rápidas composições de serviços já existentes. 

Os modelos de business case e ROI usados para TI não conseguem captar esses benefícios. Eles vão acontecer nas áreas de negócios por meio da diminuição do time-to-market e aumento da lucratividade, o que nem sempre é simples de ser mensurado. Para piorar o quadro, muitas empresas dizem ter adotado SOA e na verdade apenas tentaram resolver problemas de integração de sistemas.Nesse caso, se trata de uma iniciativa isolada da área de TI que adquire uma série de tecnologias sem se preocupar em construir serviços segundo os princípios de design de serviços.

Outro mito é que para ter sucesso o SOA deve envolver toda a empresa. Falso. Serviços podem ser desenvolvidos e colocados em repositórios distintos (chamados de Inventários de Serviços) dentro da mesma empresa, permitindo que a empresa adote SOA de uma forma gradual. Assim, a empresa pode passar a identificar projetos e a produzir “pedaços” gerenciáveis. Essa abordagem está diretamente relacionada a um padrão de design recentemente publicado chamado Domain Inventory (para uma descrição, consulte www.soapatterns.org). 

O fato de poder adotar SOA de forma gradual deve servir de estímulo para que as empresas iniciem um projeto piloto que demonstre resultados palpáveis às áreas de negócio ao mesmo tempo conferindo à área de TI um entendimento sobre os diversos aspectos correlacionados (governança, infraestrutura, segurança, sistemas legados, etc.) resultando em experiência e confiança necessárias para estender SOA para o restante da empresa. 

Thomas Erl é autor de livros sobre SOA mais vendidos do mundo. Sua obra mais recente é SOA: Princípios de design de serviços, publicado pela Editora Pearson. Também é o fundador da SOA Systems Inc. Ricardo de Castro Barbosa é sócio da SOA-Savoir Faire Educação e Consultoria e é certificado como “SOA-Consultant” pela SOA Systems.

 

Li no baguete.

Responses

Outro mito que existe também, inclusive rolando na empresa que trabalho, que é SOA foi apenas um “BOOM” e que não está crescendo como o esperado. Resumindo, alguns acham que SOA não está “pegando” nas empresas.

Ótima notícia

SOA possui todos os mitos de novas tecnologias (embora não seja nova só agora está difundida), mas assim como o software livre, sua implementação ao longo dos anos é inexorável por razões práticas e econômicas.
Com todo respeito aos autores do artigo, não vejo com bons olhos projetos piloto nesse contexto, pois pela necessidade de resultado célere são desvirtuados e prejudicam a implementação de padrões. Iniciar pela cultura das pessoas, definição de um padrão de desenvolvimento e disponibilização da infra-estrutura necessária tornam sua implementação transparente. Lembremos que qualquer implementação de SOA se faz a longo prazo, pois precisa respeitar o legado e acompanhar a evolução da tecnologia.

Olá José,
eu concordo contigo! A visão imediatista não pode sobrepor o planejamento.
Eu, particularmente, quando falo de projeto piloto, acredito que ele só seja efetivo após algumas fases de definições mínimas de padrões e processos. Afinal, é também para validar estas definições que o projeto piloto é executado.

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